sábado, 2 de fevereiro de 2008

- Está na hora.

Para um dia comum de inverno, ela estava bem nervosa e sabia que nada faria passar seu nervosismo além daquela tradicional caneca de café no café da esquina.
Pois bem, sentou-se com uma pressa que logo passou ao ouvir: Posso me sentar?
O dono daquela voz tão grave e envolvente, também era dono de um belo par de olhos verdes, cabelo castanho liso e para finalizar ainda vestia um jeans não muito claro com uma blusa social-esportiva, que a atraia muito sempre que via...
Bom, daí pra frente, já dá pra saber o que iria acontecer, papo vem e papo vai, telefones foram trocados, encontros foram marcados e muitas madrugadas causaram atrasos... No fim, o esperado, o casamento foi marcado e ali começava mais uma típica história do tal amor a primeira vista.
A cidade grande agradava muito a ela, mas ele havia recebido um proposta de trabalho praticamente para o outro lado do mundo, e não que a idéia não fosse boa, mas uma mudança é sempre muito complicada. Porém, diferente do que ela estava acostumada a mudança não era de roupa, de sapato, de carro, de brinco, de anel, de meias... Era de casa, de cidade, de estado, de país...
Mas muito companheira como sempre ela o acompanhou em tal jornada, e então, começaram a entrar porta a dentro, caixas enormes e caixas pequenas, para que tudo de valioso fosse levado, até mesmo sua coleção de folhas que costumava pegar no chão...
Desde os 18 anos ela morava naquele apartamento um pouco maior que 3x4, mas que só suportava no máximo 5 pessoas, e ele desde pequeno até casar, morou em um casa dessas de meio de rua, com um lindo gramado, porta vermelha, persianas azuis e por aí segue. Não dava pra dizer que a mudança não estava sendo difícil para ele também.
Dois ou três dias dentro do apartamento, foram suficientes, pra encaixotar tudo e esperar a hora que o caminhão fosse chegar...
E então ela de pé em frente a janela toda qual permetia ver boa parte da cidade, sentiu ele se aproximando e logo a envolvendo em um gostoso abraço...
Sem conseguir mais segurar, uma lágrima escorreu pelo seu rosto:
- Vai ficar tudo bem certo?
- Ei! O que é isso? Nós vamos poder voltar quando quisermos, não pretendo vender isso aqui e ainda mais lá eu ganharei o suficiente em um ano pra construirmos nossa casa e sustermamos nossos filhos por um longo tempo!
- Eu sei mas é que...
- Ei! Você está chorando?
- É... Haha, isso sempre acontece em despedidas...
- É, me lembro bem do quanto você chorou na primeira vez que tivemos que ficar longe um do outro...
- Naquela época parecia tudo mais fácil..
- Você irá dizer isso daqui um tempo quando estivermos lá e depois de outro tempo dirá isso quando não estivermos mais lá... É sempre assim, é um ciclo.
- Eu sei, eu sei, sei principalmente que vou sentir muita falta de tudo isso, principalmente dessa vista.
* Toca a campainha...
- É o caminhão meu amor, está pronta?
- Pronta eu não estou mas... Será que eu posso ficar aqui até eles carregarem tudo?
- Claro, se você me prometer que não vai querer levar no colo nada das coisas que estiverem na primeira caixa carregada... Haha.
- Prometo, amor, prometo!
E então ele apontou como as caixas deveriam ser carregadas, deus as coordenadas e ela permaneceu na janela, como se naquele momento um filme de todos os momentos naquela cidade, passase pela sua cabeça. Logo, o ouvi dizer:
- Está na hora querida...
Foi então que ela secou as lágrimas, ajeitou a blusa, pegou a bolsa, fechou a janela, pegou as chaves, saiu pela porta junto com ele, e quando trancou, ainda disse:
- Nunca esqueça, que o que quer que aconteça eu vou estar com você.
- Eu nunca vou esquecer disso querida, você me prova isso todos os dias, muito obrigado por estar fazendo isso por nós.
- Eu amo você.
- Eu também te amo.
- Bem, está na hora.