terça-feira, 29 de abril de 2008
terça-feira cinzenta.
- ah obrigada (Y)
- não, não é isso; é que sei lá, ouvir sua voz parece ser mais interessante;
- haha ;$ quanta certeza 8-)
- bem que me disseram que você é do tipo de garota que adora uma contradição...
- 8-) terça feira cinzenta hoje hein?
- haha, por que?
- céu nublado, chuva caindo láá fora, e meu pensamento, por aí :}
- você vai vir hoje a tarde pra aula?
- talvez... 8-)
- cinema sábado?
- você deveria parar de me olhar;
- eu deveria te abraçar agora.
terça-feira? tá legal, dessa vez não foi tão inútil assim ;)
domingo, 27 de abril de 2008
Falhas.
Falhas são como buracos e por isso é preciso completá-las.
As pessoas falham; cada pessoa falha em uma coisa e por isso as pessoas se únem. Para que possam se sentir completas.
Não há como você se unir a alguém que seja totalmente igual a você, que erre nas mesmas coisas, que acerte nas mesmas coisas, porque não há o que essa pessoa possa completar em você e vice-versa.
Quando encontramos alguém, quando conquistamos uma amizade, ou quando nos apaixonamos, imediatamente todo o nosso corpo trabalha em função dessa pessoa, pelo menos até que as falhas apareçam...
Quando as falhas aparecem nosso consciente toma conta do que antes era comandado apenas por nosso emocional, e é aí que as coisas desabam. Deixamos de lado o que sentimos e começamos a analisar profundamente cada defeito; então ditamos nossas regras; e aí o caos é estabelecido, com isso, perdemos as pessoas. E o ciclo recomeça com outras pessoas; e a maioria dessas pessoas não pára para pensar nisso e acaba por não cultivar quem tem sua vida.
Portanto, esqueça de analisar as falhas; não esqueça que elas existem que é para não esquecer que faltam coisas em você que precisam ser completadas e que faltam coisas nos outros que só você pode completar; mas esqueça de analisá-las, porque assim você esquece de ditar regras, e ao esquecer de ditar regras, você apenas vive; e viver é a ação que exige maior esforço, maior intensidade, maior dedicação, maior sentimento, mas também é que a tem a maior das recompensas.
sábado, 12 de abril de 2008
Glup;
No metrô que alcançava uma velocidade incrível um rapaz abaixa o jornal, olha com um olhar curioso e confuso para a moça ao seu lado:
- Quem é você? (uma pausa) Quer dizer... Sem me dizer seu nome ou sua idade, me responda sinceramente, quem é você?
- Bom... Existem pessoas que sonham com castelos, reinados, ouro, prata, festas, glamour e outras coisas que existem nos contos de fadas e que normalmente são as mais apreciadas pelo paladar daquelas garotas rodeadas de muito clichê; essas são as pessoas que quando ouvem a palavra "amor", descrevem um amor profundo, sincero, bonito, fiel, alto e de preferência com carro. Eu sinceramente não me encaixo nessa descrição nem em outras, como as das pessoas que sonham com um apartamento completo, uma amizade eterna, um casamento com o primeiro namorado e coisas do gênero... Para falar bem a verdade, eu não acredito que eu me encaixe em qualquer descrição que seja feita por qualquer pessoa que se considere normal, porque eu sinceramente me descrevo como um ser absolutamente anormal.
Calma; Eu não sou uma garota depressiva, revoltada com os "altos e baixos" que a vida tem, ou com filosofias tão complicadas quanto comer sorvete sem sujar o canto da boca. Eu apenas sou absolutamente e absurdamente diferente de verdade das outras garotas que existem por aí, a começar pela minha mania basicamente irritante de adorar certas palavras e usá-las frequentemente em todo e qualquer texto da minha autoria. E por falar em meus textos, há intrometidos e loucos que entram em meu quarto e lêem eles embaixo da cama mesmo, aonde eles costumam ficar.
Bom, eu preciso descrever um pouco sobre a minha rotina e consequentemente descrever sobre a minha vida que é parcialmente resumida na minha rotina que diferente da rotina das outras pessoas que eu idealizo e conheço, sempre muda. É, as pessoas tem uma mania irritante de mudar suas rotinas por apenas um dia, sabe? De repente em uma manhã de dia nublado, elas se revoltam contra seus corpos, suas manias e coisas do gênero e então resolvem mudar tudo, mas isso só acontece por um dia, porque no dia seguinte elas esquecem do que possívelmente decidiram no dia anterior e então tudo volta ao normal... Já eu, mudo lá de vez em quando, mas quando mudo, mudo pra valer, nem que seja só o lado que eu guardo a escova de dente.
Pra ser bem sincera minha rotina é um tanto quanto monótona. ( Abre parênteses: Uau, eu realmente pareço ser normal, porém não sou, e uma hora você vai descobrir isso, querendo ou não. Fecha parênteses.) Eu não sei se eu começo pela hora que eu acordo ou pela hora que eu vou durmir, então eu vou começar pelo meu lanche da tarde que se resume em pacote de bolacha recheada, televisão, meias brancas, cobertos e óculos para leitura, mesmo que eu não esteja lendo nada. Depois disso, eu tomo meu banho, visto meu confortável pijama de ursinho, visto meias coloridas, preparo o café, tomo café com a família, estudo um bom tanto, e deito lá pelas 22:00 horas. Acordo por volta das 07:00, tomo um banho para não haja fundamento para qualquer tipo de apelido imbecil, faço um café, como uma fruta e vou para o colégio, chego mais ou menos meia hora antes do ínicio da aula que é para poder sincronizar a caneta, o lápis, a borracha e o caderno em cima da mesa. Desejo um bom dia a quem passa por mim mesmo que eu não conheça, presto atenção na aula como uma aluna dedicada, passo o intervalo conversando com o Senhor que cuida do xerox, volto para casa após o fim da aula, almoço, arrumo a cozinha, coloco uma boa música e me dedico a modelagem de argila, porém sem o galã do filme gosth e aí tudo começa novamente a partir do meu lanche da tarde que com certeza inclui a televisão, afinal, para que algo tão construtivo para uma imaginação fértil quanto a televisão? Ah, eu utilizo da internet sempre que possível. Eu não tenho namorado mas eu gosto muito do meu jeito, embora ele seja regado a um bom jeans, all star, moletom ou camiseta, dependendo da estação e o cabelo preso ou parcialmente preso, dependendo do humor... Pra completar eu tenho um leve fascínio por canecas, meias, cartas, filmes e músicas... É eu acho que é só.
- Somos compatíveis.
- Ah tudo bem, ótima a sua piada senhor desconhecido que resolveu me perguntar quem sou eu em um dia em que eu estou profundamente angústiada.
- Não é uma piada. Somos compatíveis mesmo.
- Ah é? Então tá, você tem 15 minutos até eu chegar ao meu destino para me explicar o que você quer realmente dizer com isso. Estou contando.
- Existe alguma coisa em você, alguma coisa mágica, alguma coisa que quando você se sentou ao meu lado tratou de me comunicar que era preciso conversarmos. Eu não sei. Eu não entendo e eu não sei se eu quero entender. A única que eu sei é que somos compatíveis, e você pode odiar metade das coisas que eu adoro e eu posso até não ver nada demais em meias mas eu sei que somos compatíveis, porque por uma fração de segundo eu consegui observar que os seus olhos verdes contornados com um castanho claro, são os mais belos que eu já vi, e nessa mesma fração de segundo eu consegui observar que o desenho da sua boca é o desenho que uma vez uma artísta plástica amiga minha me disse que se encaixaria perfeitamente na minha boca, e o mais importante, nessa mesma fração de segundo eu concluí que não importa quem você seja na sua rotina, a única coisa que realmente importa é que você é o verdadeiro amor da minha vida e você não precisa falar absolutamente nada, porque eu não vou permitir que se quer uma palavra saia da sua boca até comprovar para você que a história da artista plástica, é realmente verdade.
Em um instante, ela se encontrava em choque. No outro instante ela sentia seus lábios se encaixarem nos lábios do cara que estava sentado ao seu lado no metrô.
- Você quer tomar um café na minha casa e descer no ponto seguinte comigo?
- É tudo o que eu desejo agora.
Rapaz.
Abriu os olhos e olhou para o teto permetindo que todas as preocupações e problemas a serem resolvidos começassem a tomar conta da sua mente. Sentou-se na cama e por alguns minutos sentiu seu corpo amolecer a ponto de fazê-la deitar novamente... Esperou um pouco e resolveu levantar; sua cabeça estava pesada, seu corpo estava amortecido e os chinelos de inverno não estavam ao lado da cama. Sujando as novas e belas meias brancas caminhou até o banheiro, olhou seu rosto cansado, sonolento e triste no espelho, abriu a torneira de água gelada, colocou as mãos uma do lado da outra formando uma concha, esperou a água tocá-las e enche-las, jogou a água gelada no rosto e permaneceu com as mãos nele até que devagar lembrou-se do dia que teria pela frente deixando que as mãos escorregassem pelo seu rosto levemente, secou os olhos verdes que mal conseguiam permanecer abertos, pegou a escova de dente, colocou a pasta e conforme pensava nas coisas que ainda tinha para fazer aumentava a velocidade com qual os escovava, fazendo sua gengiva sangrar por um instante. Tomou um banho longo e quente e organizou como pode o que tinha para fazer.
Vestiu-se.
Tomou um café-da-manhã composto por um prato de frutas, uma caneca de café com leite, e uma fatia de pão com mel. Pegou a bolsa, as chaves, tirou o celular que estava carregando, colocou um all star, pegou a chave do carro, abriu e fechou a porta, abriu o portão, saiu com o carro e fechou o portão. Entrou no carro botou as mãos sobre o superior do volante, pensou, quis voltar mas decidiu respirar e seguir. Ao levantar-se olhou para o lado para ver se não vinha nenhum carro quando avistou um rapaz que aparentava ter a mesma idade que ela sentado no meio fio, vestindo uma calça jeans e uma jaqueta preta de nilon, só não entendeu o porque ele estava ali sentado àquela hora da manhã. O relógio do carro apitou 7 horas, ela tinha meia hora para enfrentar o trânsito insuportável, e chegar viva no trabalho; ela tinha apenas meia hora.
O seu dia parecia tão comum que por um segundo pensou em ir falar com tal rapaz. Mas também a dor de cabeça não a deixava esquecer que haviam muitas coisas para fazer e havia pouco tempo para chegar viva e sem atrasos no trabalho, o que fez com que o segundo durasse por volta de um minuto, minuto esse que fez ela balançar a cabeça e dar a partida no carro.
Chegou dez minutos atrasada por conta do tal rapaz que em cada sinaleiro fechado vinha visitá-la em um pensamento absurdo e pouco útil na opinião dela.
Fez tudo o que tinha para fazer e desejou por um minuto dez vezes que o seu dia tivesse 25, 48, 72, 96 horas. Cansada e com café na calça, voltou para casa carregando milhares de notícias para editar. Chegando, olhou para o meio fio, não avistou ninguém e então achou melhor esquecer.
Durante duas ou três semanas, o rapaz esteve sentado ali e ela sempre muito pontual nunca prestou-se a ir perguntar o que ele estava fazendo ali, até porque ela nem o conhecia.
Quando ela imaginava já ter esquecido a história, o pneu do carro furou com um pedaço de garrafa que ficou no caminho na hora de sair. O rapaz? Ainda estava ali. Ela ligou para o mecânico e enquanto esperava ele chegar, sentou no meio fio do outro lado de onde o rapaz estava, olhou para o céu e se deparou com o dia frio, nublado, pensou em puxar assunto, mas preferiu se calar. O mecânico veio o carro estava pronto, sentada ela pagou pelo serviço, permaneceu ali e acabou por adormecer. Acordou assustada encostada no poste por volta das nove da manhã, questionou o que fazia ali e quando ia ter um ataque de nervos, seu olhar se encontrou com o olhar do rapaz que agora estava sentado ao lado dela, com o susto que não a assustou perguntou: - O que faz aqui rapaz? Ele respirou fundo. Quando ela ia perguntar novamente sentiu uma das mãos dele passar por seus cabelos castanhos: - O que eu faço aqui? E com a voz trêmula respondeu: - É... Permitiu que uma lágrima escorresse por seus olhos e prosseguiu encantado: - Vim te amparar. - Me amparar? - Vim te encostar aqui, te deixar confortável mesmo que estejamos na calçada. Vim te dizer que o motivo por qual sento todas as manhãs ali, é você. Vim te dizer que há algum tempo te encontrei na rua, você deixou cair um papel e quando eu o devolvi senti que as pessoas em volta se uniram em pensamentos conspirando ao nosso favor. Vim te pedir pra viver o resto da sua vida comigo. Vim te dizer que quero cuidar de você e impedir que você acorde cansada, porque o seu olhar cansado é triste e você fica linda sorrindo. Vim aqui, para te pedir, que aceite esse rapaz como o homem da sua vida.
O vento que antes nem batia, fez as folhas levantarem e os dois se abraçarem iniciando uma nova e bela história de amor.
