Abriu os olhos e olhou para o teto permetindo que todas as preocupações e problemas a serem resolvidos começassem a tomar conta da sua mente. Sentou-se na cama e por alguns minutos sentiu seu corpo amolecer a ponto de fazê-la deitar novamente... Esperou um pouco e resolveu levantar; sua cabeça estava pesada, seu corpo estava amortecido e os chinelos de inverno não estavam ao lado da cama. Sujando as novas e belas meias brancas caminhou até o banheiro, olhou seu rosto cansado, sonolento e triste no espelho, abriu a torneira de água gelada, colocou as mãos uma do lado da outra formando uma concha, esperou a água tocá-las e enche-las, jogou a água gelada no rosto e permaneceu com as mãos nele até que devagar lembrou-se do dia que teria pela frente deixando que as mãos escorregassem pelo seu rosto levemente, secou os olhos verdes que mal conseguiam permanecer abertos, pegou a escova de dente, colocou a pasta e conforme pensava nas coisas que ainda tinha para fazer aumentava a velocidade com qual os escovava, fazendo sua gengiva sangrar por um instante. Tomou um banho longo e quente e organizou como pode o que tinha para fazer.
Vestiu-se.
Tomou um café-da-manhã composto por um prato de frutas, uma caneca de café com leite, e uma fatia de pão com mel. Pegou a bolsa, as chaves, tirou o celular que estava carregando, colocou um all star, pegou a chave do carro, abriu e fechou a porta, abriu o portão, saiu com o carro e fechou o portão. Entrou no carro botou as mãos sobre o superior do volante, pensou, quis voltar mas decidiu respirar e seguir. Ao levantar-se olhou para o lado para ver se não vinha nenhum carro quando avistou um rapaz que aparentava ter a mesma idade que ela sentado no meio fio, vestindo uma calça jeans e uma jaqueta preta de nilon, só não entendeu o porque ele estava ali sentado àquela hora da manhã. O relógio do carro apitou 7 horas, ela tinha meia hora para enfrentar o trânsito insuportável, e chegar viva no trabalho; ela tinha apenas meia hora.
O seu dia parecia tão comum que por um segundo pensou em ir falar com tal rapaz. Mas também a dor de cabeça não a deixava esquecer que haviam muitas coisas para fazer e havia pouco tempo para chegar viva e sem atrasos no trabalho, o que fez com que o segundo durasse por volta de um minuto, minuto esse que fez ela balançar a cabeça e dar a partida no carro.
Chegou dez minutos atrasada por conta do tal rapaz que em cada sinaleiro fechado vinha visitá-la em um pensamento absurdo e pouco útil na opinião dela.
Fez tudo o que tinha para fazer e desejou por um minuto dez vezes que o seu dia tivesse 25, 48, 72, 96 horas. Cansada e com café na calça, voltou para casa carregando milhares de notícias para editar. Chegando, olhou para o meio fio, não avistou ninguém e então achou melhor esquecer.
Durante duas ou três semanas, o rapaz esteve sentado ali e ela sempre muito pontual nunca prestou-se a ir perguntar o que ele estava fazendo ali, até porque ela nem o conhecia.
Quando ela imaginava já ter esquecido a história, o pneu do carro furou com um pedaço de garrafa que ficou no caminho na hora de sair. O rapaz? Ainda estava ali. Ela ligou para o mecânico e enquanto esperava ele chegar, sentou no meio fio do outro lado de onde o rapaz estava, olhou para o céu e se deparou com o dia frio, nublado, pensou em puxar assunto, mas preferiu se calar. O mecânico veio o carro estava pronto, sentada ela pagou pelo serviço, permaneceu ali e acabou por adormecer. Acordou assustada encostada no poste por volta das nove da manhã, questionou o que fazia ali e quando ia ter um ataque de nervos, seu olhar se encontrou com o olhar do rapaz que agora estava sentado ao lado dela, com o susto que não a assustou perguntou: - O que faz aqui rapaz? Ele respirou fundo. Quando ela ia perguntar novamente sentiu uma das mãos dele passar por seus cabelos castanhos: - O que eu faço aqui? E com a voz trêmula respondeu: - É... Permitiu que uma lágrima escorresse por seus olhos e prosseguiu encantado: - Vim te amparar. - Me amparar? - Vim te encostar aqui, te deixar confortável mesmo que estejamos na calçada. Vim te dizer que o motivo por qual sento todas as manhãs ali, é você. Vim te dizer que há algum tempo te encontrei na rua, você deixou cair um papel e quando eu o devolvi senti que as pessoas em volta se uniram em pensamentos conspirando ao nosso favor. Vim te pedir pra viver o resto da sua vida comigo. Vim te dizer que quero cuidar de você e impedir que você acorde cansada, porque o seu olhar cansado é triste e você fica linda sorrindo. Vim aqui, para te pedir, que aceite esse rapaz como o homem da sua vida.
O vento que antes nem batia, fez as folhas levantarem e os dois se abraçarem iniciando uma nova e bela história de amor.

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