Era mais ou menos nove da noite quando aquele aperto tomou conta do seu peito; no começo ela não entendia por que, mas depois, resolveu adaptar tal aperto no lugar em que ela depositava a culpa das coisas que fazia.
Sua noite tinha tudo para ser imperfeita; acreditou por milésimos de segundo, que não conseguiria se quer pegar no sono. Só que não foi isso que aconteceu. Ainda há uma suspeita que uma certa fada tenha tomado conta de seu quarto e que tenha embalado ela em seus braços até o sono viesse a tomar conta de tudo que ali tinha.
Aquele ensurdecedor despertor tocou perto das 6 da manhã e com o corpo tomado pela preguiça, levantou num pulo só, chamou sua irmã e voltou ao quarto, para tomar aquele banho.
Pensou consigo, que o dia seria só mais um, teria algumas complicações, mas o que eram complicações perto do que ela já havia passado em toda a sua história?
Pois bem, colocou o uniforme e depois de um café bem forte, foi para o colégio, esperava encontrar um menino frágil e encontrou um cafajeste.
Milhares de pensamentos e sentimentos estavam tomando conta de todas as minusculas partículas de seu corpo. O que fazer? Deixar passar? Jamais. Já havia engolido muito do que precisava falar, agora era a hora, e ela tinha um ótimo motivo.
Parecia que seus pensamentos eram encaixados na velocidade da luz. Falou tanto que até faltou saliva. E no fim, ainda tirou ótima conclusões...
* Porque cada pedacinho de mim que foi criado para se apaixonar, estava ligado em você.
Fotografias, textos, cartas, bilhetes, músicas, lembranças, tudo dentro de uma caixa para ser enterrada no mais profundo do seu inconsciente.
Nada poderia detê-la agora que enfim, ela tinha a si mesma.
Não dá para não dizer que ela não perdeu um pouco de si nessa história toda, perdeu sim, mas em menos de cinco minutos recuperou o fôlego e tratou de cuidar um pouco de si.
Nada do que ele disesse a partir daquele momento faria diferença em seus dias. Estava decidida a esquecê-lo.
Cada pedacinho dela que foi criado para se apaixonar, estava em um estado de êxtase terrível.
Ela sabia que todas as suas palavras jogadas ao vento teriam uma consequência, e acreditem ou não, ela está bem por isso. Ela sabia que não teria mais aquele abraço que a aconchegava, não teria mais aquele sorriso bobo, não ouviria mais aquela voz grave e doce. Ela sabia que não teria mais um cabelo desajeitado para brincar e não que não teria mais quem a ensinasse a jogar jogos de computador. E isso, era tudo o que era necessário para causar uma tremendar dor em seu peito. Pena, que não foi o que aconteceu.
Juntou seus sonhos, resgatou seus planos, tirou da gaveta todos os desejos e tratou de organizá-los de forma civilizada e gentil. Não queria pagar com a mesma moeda.
Vingança era algo que não lhe passava pela cabeça, ainda que, existisse um profundo desejo de pisar em cima dele, mas nada que não pudesse ser feito com o poder da imaginação.
Suas mãos já não estavam mais suando como no decorrer do dia, seu rosto tinha voltado a temperatura normal, e seus dedos das mãos pediam impacientemente por um teclado, enquanto seus olhos pediam incontrolávelmente por um tela de computador em branco, de preferência.
Então, arrumou todas as coisas que a ele perteciam, colocou em uma sacola e deixou ao lado da porta do quarto, para que logo sua mãe pegasse e fizesse o favor de devolver a mãe dele.
Ela tinha todos os motivos do mundo para estar mal... Mas ao contrário, não havia nada até então, que a tivesse feito tão bem; não havia nada até então, que a tivesse provado quantas pessoas boas existem nesse mundo.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
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