domingo, 10 de fevereiro de 2008

Acostumada.

De alguma forma, sem saber por quê eu fui acostumada a pensar em você. E eu não sei como não percebi isso antes.
Desde criança, eu fui ensinada que para se aprender a fazer algo é preciso insistir e ter vontade, mas quando não se tinha vontade, era era preciso aprender a se acostumar... E daí em diante, me acostumei a tantas coisas.
Me acostumei a falar de amores perdidos, de sonhos vencidos e de acontecimentos estabelecidos... Me acostumei a abrir a porta do guarda-roupa ao ouvir que iria sair. Me acostumei a sentir fome, a sentir dor sempre que batia o dedo menor do pé na ponta da cama, a escovar os dentes sempre depois das refeições, ao acordar e antes de durmir. Me acostumei a escrever o que sentia, a desenhar o que queria, e a planejar o que iria acontecer... Simplesmente, me acostumei.
Mas nunca me preocupei em me acostumar a sentir saudade, a dizer eu te amo, a sorrir sem querer, a chorar quando desse vontade, ou qualquer coisa do gênero, porque isso pra mim, sempre foi algo tão... Incontrolável. Que me acostumar com essas coisas parecia algo simplesmente impossível.
E aí hoje, ao me olhar no espelho, eu olho pra você e pra mim e eu digo: - Acostumei.
Acostumei a te ter aqui todos os finais de semana, acostumei a dizer "eu também" quando você dizia "eu te amo", acostumei a responder as suas mensagens no celular sempre por volta das 02:00 da manhã, acostumei a acordar perto das onze nas férias pra ligar pra você, acostumei a mentir pra você que eu sentia saudade de você logo depois que você saía daqui; me acostumei a tanta coisa errada que sinto até medo de mim quando eu percebo que muitas das coisas que eu falei pra você não passou de um adquirido costume!
E sabe; eu não desejei isso em nenhum momento. Não desejei me acostumar com você, desejei apenas ter você. Não desejei amar você, desejei apenas ter você. Não desejei sentir saudade de você, desejei apenas ter você. Não desejei fazer planos ao teu lado, desejei apenas ter você.
Mas aí o desejo tomou conta de mim, e me deixou confusa, pensei estar apaixonada e até estive, mas não como idealizei estar. Tudo o que eu disse pra você, foi sincero, até o ponto que não partia do desejo. Não, eu não usei você. Eu não simplesmente quis você pensando em te querer por um tempo e depois jogar fora, jamais faria isso com alguém como você. Eu só tô te explicando e te contando um pouco sobre mim, sabe? Eu só tô tentando te dizer que, eu queria que tudo o que a gente viveu, não tivesse feito parte de uma idéia! Eu só tô tentando te dizer que eu queria que tudo o que a gente viveu, tivesse feito parte de algo incomum, natural, não desejado, sabe?
E hoje, tudo o que posso tirar do que aconteceu, é um costume. Não é um amor, não é uma paixão, é um costume. E não desejo totalmente, mas eu desejo parcialmente que você pudesse sentir o quanto isso tem me machucado. Eu fui contra mim sabe? Eu fui contra meus princípios, meus gostos, meus planos... Na verdade, eu os esqueci e comecei a viver o que você queria, que era uma vida ao meu lado; aí então me acostumei com a idéia, mais uma vez. E mais uma vez me machuquei. E agora? Agora eu caí na real. E eu não quero, não posso e não tenho mais forças pra viver acostumada com a situação. E a única opção existente, é um ponto final.

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