Irritada, angustiada, com muita pressa, batendo o pé e olhando compulsivamente no relógio ela esperava sua senha aparecer no painel.
De longe, um garoto, vestia calça jeans clara, uma camiseta regata branca lisa e uma camisa xadrez por cima. O cabelo não era muito curto, com forma indefinida e cor mais ainda mas era bonito mesmo que um tanto quanto bagunçado. Acessórios, só um relógio no pulso esquerdo e fones de ouvido. Ele parecia distraído, mas com certeza não estava, porque o ritmo de sua respiração indicava que ele estava realmente deslumbrado com algo; ou alguém.
Ela estava sentada, mais precisamente na ponta da cadeira, mesmo que para a sua vez faltassem 50 números, ela não se continha, levantava, sentava, roía as unhas e cada movimento, chamava mais a atenção dele. Ela tinha cabelo castanho escuro, ondeado, vestia uma calça jeans escura, uma blusa vermelha meia manga, e um cachecol marrom, bege e vermelho; calçava all star como de costume, mas embora o traje desta vez indicasse tranquilidade, definitivamente, ela não estava traquila. Em demais dias, deixava que o tempo a mostrasse as coisas, mas naquele dia havia acordado diferente e nem sabia por quê.
Agora, ele é quem roía as unhas, queria ouvir a voz dela; porque definitivamente além de um jeito despojado pra se vestir, ele também tinha manias e gostos 'despojados', e para tanto ouvir a voz dela era essencial, respirou fundo, enxeu o peito e quando um lugar ao lado dela vagou, lá foi ele...
- Você vem sempre aqui?
Ela olhou com reprovação: - É uma fila de banco sabia? --'
- Sim eu sei, mas na falta de assunto, até caras legais como eu apelam para inícios de conversa que se parecem com cantadas de construção.
- Haha, legal cara, eu estou com pressa; e nem sei porquê.
- Tem namorado?
- Não acha que tá indo rápido demais?
- Mulheres... Fazemos uma pergunta e elas já acham que estamos dando em cima delas - não que eu não tenha interesse em você - mas só perguntei porque como homem, sei que a maioria dos homens é impaciente, e talvez um namorado apressado, seria o motivo.
- Divertido.
- Hum?
- Você é divertido, mas não, não tenho namorado.
- Como uma garota como você pode não ter namorado? Rum, quer dizer, não?
- Não, não. *sorri*
- Sorriso bonito.
- Ah, obrigada. Além de divertido, anota aí, você é galanteador.
- Hey! ¬¬
- E fofo.
- 8-) ;$ Ahn, então, o que você faz aqui?
- Garoto, vamos logo com isso, se você quer saber como eu sou, quem eu sou, o que eu gosto de fazer, tipo musical e tudo mais, pergunte logo, não fique fazendo perguntas que nos levarão a um silêncio desconfortável.
- Como sabe?
- Porque todo fazem isso.
- Como conseguem?
- Ahn?
- Como conseguem fazerem perguntas que levam ao silêncio?
- Você sabe... Perguntas idiotas, que uma hora acabam e aí vem o silêncio.
- Como é o seu silêncio?
- Haha, vou eu saber!
- Fiquei quieta.
- Quê?
- É, assim eu posso dizer como é seu silêncio.
- [...]
- [...]
- [...]
- [...]
- [...]
- Espetacular.
- Não é desconfortável?
- Nem um pouco. É um espetáculo.
- Menos garoto, menos.
- Não, é sério, a sincronia com qual você respira, faz de tudo um espetáculo, seus olhos piscam em conjunto com o resto do ambiente como se estivessem dançando, espetacular.
- Você vem sempre aqui?
- Olha a cantada aí minha gente!
- Não, não é isso, é que eu gostei de você, e agora só faltam 25... Meu Deus só 25 números? A gente conversou muito, o tempo passou rápido ou aconteceu algo sobre natural? Hahaha...
- Desculpa o atraso.
- Atraso?
*Vira-se, os olhares se encontram.*
- É, eu deveria ter chego mais cedo.
- Aqui? Por que? Menos fila?
- Não, na sua vida.
*Engole seco, respira fundo.*
- Na minha vida?
- Sim e não.
- Sim e não?
- Deveria sim ter chego mais cedo, pra ter sentido essa sensação de paz, alegria, ansiosidade e medo misturados a mais tempo, e não deveria, porque chegando agora, neste exato momento, eu tenho como daqui pra frente, escrever o resto da minha história ao seu lado...
- [...]
- ;$ Se quiser, é claro.
- * Sorri *
* Aproxima-se lentamente, e beija os lábios dela. Conforme o beijo acontece, ela fecha os olhos, e quando abre, ouve o 'blimblom', de que chegou sua vez.
sábado, 9 de agosto de 2008
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Um comentário:
ai ai (suspiro longoooooooooooo!)
coisas assim me enchem de vontade de amar ainda mais...saudades de ler seus posts. Andei sem net então perdi alguns detalhes, mas como sempre, as histórias (q ainda me pergunto se são verídicas ou não) são ótimas!
bjo
boa semana
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