domingo, 24 de agosto de 2008

Dia de domingo.

Não via a hora de voltar para casa. De fato, como havia pensado antes de sair, não deveria ter saído da cama quentinha, que a acolhia com todo o carinho, amor e atenção que naquele domingo nostalgico, ela necessitava.
Estava cansada, mal conseguia se mexer na cama logo que deitou na noite passada; passara o dia anterior todo, correndo para lá, correndo para cá, não parou. As poucas vezes que sentou, logo era obrigada a levantar, sorrir, caminhar, e desejar a todos os presentes, um bom chá. O dia havia sido cansativo, seus pés pediam impacientemente por um confortável par de meias e o resto do corpo, somente por um banho quentinho e um pijama, contudo, tudo valeu a pena, muitos elogios e mais do que isso, contratos quase foram selados; ontem, ela estava bem.
A culpa não é do dia, não é do céu acizentado, da temperatura fria; muito pelo contrário, domingo's acizentados e gelados, muito a agradavam, a culpa era de um nobre rapaz, que sem muito esforço conseguiu terminar com o pouco de entusiasmo que nela havia.
Por segundos, ela tentou não vê-lo, tentou despistá-lo, mas quando sozinha ficou no mesmo ambiente em que ele estava, e nem em sua cara ele se dignou a olhar, sentiu um breve aperto no peito, pediu a chave do carro para seu pai, e foi se deitar. Não conseguiu pegar no sono, porque o vento gelado avisa a ela que ela deveria ao menos comprimentá-lo, afinal, poderia ser este o motivo de tantos olhares desencontrados; bem, levantou-se, já nem sentia tanta dor nas costas com a qual chegara, calçou o tênis, fechou as janelas, trancou as portas e dirigiu-se lentamente até onde o rapaz se encontrava; sentia um pouco de dor na cabeça, mas com fé em si mesma, acreditava que logo passaria. Chegou lá e ele mais uma vez não olhou em seus olhos, pensou consigo que ele poderia estar chateado, disfarçadamente foi para trás do moço, e com um anel de latinha, um pedacinho de madeira e uma pedrinha, tentou chamar a atenção do garoto:
- Ô tentação!
- Você não fala comigo... 8-)
- Não falo mesmo.
Bem, como pode mais uma vez sentir, ele não estava ali para ela, ele não tinha como objetivo se quer ser simpático; tudo bem, ela sabe que anteriormente havia desviado ele, mas já não tinha certeza se aquilo era porque ele havia percebido, ou se era porque ele tinha o objetivo de impressionar outras pessoas. Não desistiu, tentou começar alguns assuntos dos quais foram discretamente terminados antes mesmo do inicio, sorriu delicadamente, piscou algumas vezes, virou-se em outras, e quando ele finalmente saiu de onde estava, ela tomou seu rumo, comeu alguma coisa, observou o quão feliz ele aparentava sem ela por perto, com quem realmente o idolatrava, respirou fundo, e voltou para casa.

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