E sentada em um dos últimos bancos do ônibus que circulava sempre pela cidade, ela se deparava com o reflexo de suas mãos e seu rosto na janela; tentava distraír-se, pensar em algo que não fosse aquele dia, mas não conseguia, a emoção que sentia, era absolutamente única e parecia que por instantes aquele reflexo na janela era capaz de falar com ela.
Sentia-se bem. Não via a hora de descer no ponto próximo a sua casa e então caminhar, caminhar, caminhar... Antes, havia pensado em ir para casa caminhando, pois a sua tarde tinha sido tão bela que tudo o que ela desejava ao fim dela, era ficar mais um pouco, aproveitar até o último segundo; definitivamente, a cada momento que passava ao lado daquelas pessoas guardava dentro de si a certeza de que eles haviam chego em sua vida para transformá-la.
Ontem, parecia muito longe. Toda aquela descepção, aquela dor, aquela enxaqueca, havia desaparecido; não entendia muito bem porque mas sabia que aqueles anjos estavam envolvidos. Tinha todos os motivos do mudo para não estar bem, digamos que aos poucos as coisas até pareciam se ajeitar de um lado, mas de qualquer forma, dizer que a sua vida estava uma confusão parecia resumí-la, e ela gosta das coisas resumidas, coisas e pessoas objetivas, também atraem a atenção dela; mas este, não é caso; não importa se a sua família está em crise, se a sua vida amorosa está uma confusão; as pessoas com que ela passou a tarde, fazem-a esquecer desses pequenos detalhes, que quando ela está sozinha tornam-se grande motivos para enormes questionamentos.
Enfim, a calça do uniforme do colégio pinicava, a música que tocava pelo mp3 era meio triste, mas mesmo assim em seus lábios havia um sorriso; não um sorriso exagerado, amendrotado, falso, inventado, nem perto disso! Era um sorriso sincero, singelo, looooongo que parecia que nunca mais iria sair dali, que dava a sensação de que dali pra frente poderia acontecer qualquer coisa, que ele se manteria vivo dentro dela.
Há muito tempo ela descobriu que estes eram seus amigos; mas somente hoje, ela permetiu que seu coração quase saísse pela boca com algumas gargalhadas e somente hoje, ela se deu conta, que não é amigos que ela tem; são jóias; cada uma com um desenho, com um valor, com uma importância; com um efeito; mas todas elas, absolutamente essencias para sua existência; só hoje ela percebeu que são eles, aqueles que mesmo que um dia ela chegue a perder o contato, ela vai guardar pra sempre, dentro de um livro; o livro da sua vida, que ela fará questão de ler para seus filhos, netos, bisnetos e assim por diante.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
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