quinta-feira, 10 de julho de 2008

- Fique a vontade.

Sentada em um sofá de couro italiano preto com as pernas umas sobre as outras daquele típico jeito de índio, ouviu o interfone tocar, do outro lado o porteiro do prédio de 18 andares dizia:
- Senhora do 787? Tem um rapaz aqui querendo falar com senhora.
- Rapaz? Que rapaz?
- Bem Senhora, ele pediu para não dizer o nome, mas se a senhora quiser eu digo que ele não sobe sem dizer.
Neste exato momento lembrou que mais ou menos dez anos atrás, quando ainda estava no colegial, namorava um garoto muito bonito, carinhoso, gentil e poeta. Junto com todos essas referências também veio em meio de uma nostálgica lembrança o que uma vez ouviu da boca do rapaz:
- Podemos até não ficarmos juntos para o resto da vida, mas com certeza, um dia eu vou te encontrar, vou bater na sua porta e vamos passar horas e horas conversando até que eu não irei mais suportar e acabarei por tocar teus lábios mais uma vez.
Havia a possibilidade de ser ele? Mas que besteira, imagina, ele nem deveria mais lembrar disso; enquanto isso do outro lado o porteiro gritava feito louco perguntando se ela estava o ouvindo, quando finalmente ouviu, respondeu:
- Diga para ele subir...
Disse isso com toda a calma do mundo em um instante, mas no instante seguinte quando finalmente percebeu que não era um sonho, que não era uma pessoa conhecida e que por coerência não haveria a mínima possibilidade de ser aquele garoto, desesperou-se. Começou a juntar todas as fotografias, textos e a procurar os chocolates esquemáticamente escondidos, corria contra o tempo, ele estava no primeiro andar e ela no sétimo, ela não tinha muito tempo, e fosse lá quem fosse, não poderia deparar-se com a bagunça de um típico apartamento de uma desing... *Blimblom. A campainha tocou, e pelo 'olho mágico', deparou-se com um cara de uns 25 anos, pele clara, cabelo castanho e olhos verdes; muito parecido com o garoto do colegial, abriu a porta...
- Ô-ô-olá?
- Olá, lembra de mim?
- V-v-você é...
- Exatamente. Eu falei que eu vinha.
- Nós; nós vamos...
- Conversar horas e horas madrugada a fora e...
- Não termina...
- Ok, não vamos não, você vai colocar um calçado que não sejam pantufas e vai sair comigo...
- Eu vou?
- Vai sim.
- Então eu preciso tomar banho, me arrumar e ...
- Não, não só troque o calçado, porque pantufas não é bem adequado, já que está chovendo lá fora...
- Ok 8-) *Fechou a porta na cara dela e logo em seguida abriu rapidamente: - Desculpa, hehe, quer entrar? :$
- Ok, mas vamos logo com isso!
Entrou ligeiramente em seu quarto, pegou um par de all star e quando passou na frente do espelho resolveu que poderia estar frio então era melhor colocar um moletom, mas qual? Verde, vermelho, azul, preto, amarelo, laranja, tinha um de cada cor, mas o escolhido depois de uns 20 minutos foi um moletom cinza, confortável e bem fofinho... Ah, mas pera aí, a calça jeans não ficava linda com aquele moletom... Ok, em meio minuto ela saberia que calça por... Meia hora depois a calça foi escolhida ;B Prende o cabelo e pega a bolsa, abre a porta do quarto e lá está ele, cochilando sentado no sofá, com uma cara encantada mas um andar espuleta, ela fala em tom mais alto: - VAMOS? Assustado e um tanto quanto cansado de esperá-la ele não demora a levantar, pula em dois segundos do sofá e já sai fechando a porta, sendo que ela já está com o dedo no botãozinho do elevador chamando-o logo :B
- Onde vamos? Ela pergunta ansiosa.
- Segredo. Eu disse que viria e cumpri, agora se puder tirar esse olhar medroso e puder compor um sorriso com um olhar mais simpático, eu me sentiria mais confortável. * Lançou os ombros levemente para frente, para arrumar a jaqueta preta com mangas cinzas que combinava muito bem com um camiseta branca e vermelha que vestia por baixo e uma calça jeans escura sem desconsiderar é claro, o toque final que era um tênis branco de 'molinhas legais' vermelhas, segundo ela.
- Ok então capitão '¬¬
- Capitão? Você ainda lembra disso?
- E como eu poderia esquecer, você sempre quis pilotar um avião...
- E pilotei... Váários. Meu pai é dono de uma cia área, eu sou o presidente da que está instalada aqui e por acaso é a que você utiliza para os seus vôos 'a trabalho'.
- Você tava me seguindo?
- Per...
- Per o que?
- Perseguindo xD
- Você é doente.
- E você é linda. Não te persegui, apenas não esqueci do que disse.
- Se não tivesse esquecido não estaria mudando os planos.
- Alôôôuu... Eu não sou tão previsível e você já deveria saber disso, confia em mim ;}
- Tá bom.
* O elevador chegou ao térreo e estacionado em frente a porta de entrada do prédio dela, havia um carro preto, bastante elegante, todo qual o garoto responsável pela segurança dos automóveis entregou a chave nas mãos dele, que deu um click destravou as portas e abriu a porta para ela entrar. Com o queixo caído confirmava a história de que o pai dele realmente era dono de uma cia área e também analisava que ele realmente não tinha deixado o seu jeito cavalheiro de lado.
Dentro do carro só era possível ouvir a respiração de ambos embalada por My paper heart - The all american rejects, que por acaso ou destino, era o que continha entre mais de 500 músicas no ipod dela, desde que ela se conhecia por ecléticamente viciada em música.
Curvas e mais curvas, postes com luzes baixas e montanhas a volta, contribuindo para um lugar lindo coberto com o manto do céu no fim do dia...
- Chegamos? - Ela perguntou.
- Urrum, coloca isso.
- O que é isso?
- Uma venda, coloca logo.
- Ai meu Deus...
- Pode confiar em mim!
Colocou a venda e esperou que ele viesse buscá-la. Ele abriu a porta e com todo o carinho do mundo levou ela até o lugar preparado.
- Posso tirar a venda já?
- Eu tiro pra você...
Quando lentamente abriu os olhos, estava no topo da mais bela montanha, de onde tinha uma bela vista da tão agitada londres, encantada e emocionada virou-se para abraçá-lo e deu de cara com um mesa posta para dois, com velas, pétalas de rosas vermelhas e ele sentado em um das cadeiras com um violão apoiado sobre as pernas cruzadas, começando a tocara para ela 'aquela' canção...
- O que é iss...
- Shiu... Ouça... Sei que quando fecho os olhos ainda posso te encontrar, e que te ter bem em meus braços sei que sempre vou lembrar, no momento em que você preparava pra entrar na minha vida, mal eu podia saber que era pra ficaaaar... (8)
Com lágrimas nos olhos, ela o comtemplava... Então ele, largou o violão, enconstou-o na mesa, levantou, e a envolveu em seus braços...
- O que você está...
- Eu sei que este não era o plano, mas já que eu já mudei tudo mesmo, deixa eu pular a parte da conversa, deixa eu olhar firme em teus olhos, beijar teus lábios e te pedir pra nunca mais ir...
- Fique a vontade.

Um comentário:

Anônimo disse...

nossa
fiquei de boca aberta. Gostei de cada detalhe e confesso que o coração bateu mais forte.
Muito bom mesmo, queria até q fosse de verdade. Q fosse comigo, q isso acontecesse a vontade!
bjos