terça-feira, 22 de julho de 2008

- Eu conheço a sua essência.

" As paredes eram novas, as janelas de alumínio, o chão se divia em um piso inteiro branco fosco na sala, piso em quadrados branco brilhoso na cozinha, piso em quadradinhos branco no banheiro da suíte, piso em quadradinhos branco com peixinhos no banheiro perto da sala, e carpet bege no quarto; é bom lembrar que ela tinha alergia a carpet quando era criança ._. mas mesmo assim, ela estava muito feliz, seu primeiro apartamento na capital? Era realmente mágico demais, motivo pra uma felicidade absurda. Mas o apartamento era todo branco e ainda não tinha móveis... " Era o que sentada no seu sofá preto de couro ela lembrava. No começo, de fato era tudo assim, mas agora, o apartamento estava todo mobiliado, uma das paredes do quarto era verde, o banheiro da suíte era efeitado com tons de roxo, velas e tudo mais, e a na cozinha era tudo de vaquinha, como tradicionalmente é no começo, o único problema é que já faziam 7 anos que tudo continuava a mesma coisa e pior, não era só em casa, era em tudo, principalmente no seu trabalho que exigia criatividade o tempo todo e ela parecia estar em uma daquelas crises que costuma ter quando adolescente... E quando se deu conta disso, permetiu que depois de 7 anos a primeira lágrima escorresse por seus olhos; tudo isso, porque desde que começou a morar ali, nunca mais conseguiu se apaixonar por nada, nem por ninguém. Os homens eram lindos, as coisas eram organizadas, mas nada tinha gosto pra ela, faltava-lhe sempre algo, e definitivamente ela não via saída, pensou por um instante em acabar ali mesmo com o resto que lhe sobrava de vida, mas quando dirigiu-se a cozinha para pegar algum instrumento que lhe ajudasse na tarefa a campainha tocou e ela foi ver quem era.
Pelo olho mágico, parecia ser um motoboy de no máximo 16 anos, que segurava um buquê de rosas champagne (suas prediletas) e mascava chicléts enquanto rebrava no ritmo da música que estava ouvindo pelos fones de ouvido. Sem muita fé de que realmente aquilo era pra ela, abriu a porta e pronta para perguntar o que o garoto queria, ele empurrou contra ela uma prancheta e mandou ela assinar e sem tempo para ela perguntar onde, ele foi apontando e foi pedindo pressa, ela nem teve tempo de ler para quem realmente era, assinou e pensou consigo que se fosse pra outra pessoa do prédio ela entragaria depois, no mesmo instante que a caneta terminou de auxiliá-la para assinar seu nome, o garoto tomou a prancheta das mãos delas e no ritmo da música que ouvia, entregou as rosas para ela, piscou com um olho só e saiu patinando; definitivamente, ele não era um motoboy, e sim um patinador que deveria trabalhar em alguma floricultura evoluída; resolveu párar de pensar em que realmente o garoto era e entrou com as rosas que continham entre si um envelope vermelho pequeno (é bom ressaltar que vermelho sempre esteve em suas cores prediletas e que envelopes faziam ela se sentir melancólica, o que ultimamente pela falta de acontecimento era quase que a felicidade pra ela), que continha dentro um pequeno cartão feito de papel carta bege, escrito com caneta preta de ponta finíssima: " Para a mulher mais bela do décimo nono andar." Hum, ok, realmente para ela aquilo só poderia ser um engano afinal, as únicas vezes que se achava definitivamente bela era em seus sonhos quando ela se parecia com a Angelina Jolie. Pensou então que só poderia ser para a sua vizinha e resolveu conferir no canhoto de entrega que o garoto bruscamente enfiou no meio das rosas. O-o. Era o nome dela lá... Ok, algo muito estranho estava acontecendo e como sempre ela não conseguia achar graça.
Ela? Ela era composta por um corpo em forma a partir do padrão de beleza da época (que por acaso não mudou muita coisa do que tínhamos em 2008), tinha olhos cor de mel, pele branca (bem branca), cabelo castanho, cilios grandes, boca rasuavelmente pequena e um pinta perto do canto do olho esquerdo; basicamente, eu acho que é isso a define, e ah, aí ela já tinha 26 anos :}
Mas voltando ao assunto, embora tudo aquilo fosse estranho e ela fosse curiosa de carteirinha, ela resolveu deixar de lado e voltou a cozinha para procurar o tal instrumento que possívelmente seria uma faca enorme... Pegou a faca na mão e quando foi colocá-la em horizontal para analisar o fio da faca, o telefone tocou, do outro lado da linha uma voz elegante, grave, masculina e gentil disse:
- Alô?
- Alô :O
- Quem está falando?
- Com quem você quer falar?
- Com a mulher mais bela do décimo novo andar.
- Então desculpa, mas eu acho que você ligou errado.
* Ameaçou desligar quando o galanteador prosseguiu:
- Moça, por favor não desligue, preciso muito falar com você.
- Como sabe, que eu sou eu?
- Porque não há outra mulher no mundo que tenha uma voz tão macia quanto a sua.
- e...é-é?
- É sim, e mais do que isso, não há olhos que sejam donos de um olhar tão doce quanto os seus.
- Sinceramente rapaz, essas bobagens não me afetam.
- Te descrever a meu modo, é bobagem?
- Pra mim é sim, agora se puder me dar licença, eu ia me matar (:
- Por favor não faça isso!
- Estou desligando... (8)
- Não por favor, só me ouça mais cinco minutos!
- Ok, garotão vejo que você não vai me deixar em paz, vou desligar!
* tu, tu, tu...
Resolveu, tomar o último banho da sua vida, pegou seu agasalho cinza, uma calcinha vermelha, um sutiã branco frente única, e dirigiu-se a banheira, tomou o melhor banho possível, que durou em torno de 40 minutos; vestida, tomou a faca em suas mãos e decidiria que nada iria empedí-la até que mais uma vez a campainha tocou, nesse momento penso em não atender, mas mudou de idéia afinal suas mãos estavam geladas e seu corpo todo tremia, abriu a porta e encontrou um rapaz, com 1,80 de altura, olhos castanhos, cabelo castanho, e uma cara de preocupado misturado com uma perda de fôlego que a fez convidá-lo para entrar ligeiramente, afinal ele parecia que iria morrer a qualquer segundo.
Ele entou, ele se acalmou e ela sem dizer nada, direcionou-se a porta indicando que ele saísse de lá. Ele insistiu e disse:
- Por que você quer que vá embora?
- Porque eu vou me matar agora :} Volte mais tarde.
- Por favor não faça isso.
* Reconheceu a voz do rapaz e não disse nada, porém ele prosseguiu.
- Há sete anos eu passo horas e horas em frente a meu computador depois que eu chego do trabalho tentando escrever o quanto você mexeu comigo desde o dia que eu te vi pela primeira vez no elevador. Eu sei que sete anos é muito tempo, e eu confesso que eu estive com várias mulheres nesse meio tempo, mas, nenhuma delas conseguiu me fazer sentir o que eu senti no dia em que te vi. Você é tão ocupada, e ultimamente andou tão má humorada que eu sentia medo de atrapalhar você vindo falar contigo. Mas aí, eu percebi que, eu posso perdê-la. E eu não quero que isso aconteça, porque eu vou me perder se isso acontecer. E sem eu mesmo eu não consigo viver.
- Nossa que profundo; e eu sou o que? Uma espécie de mercadoria que você precisa pra não se perder? Hahaha.
- Não, não é isso. Eu acabei descobrindo nesse tempo todo, que você é quem me faz sorrir mesmo que viva com essa cara de tristeza, mesmo que viva de mau com a vida, mesmo que não diga nada, o simples fato de você existir é suficiente para preencher o que eu preciso pra ser feliz, mas eu não quero mais viver assim.
- Que legal, agora então some que eu vou fazer o favor de me matar, assim cê vai embora feliz :} Não vai mais precisa viver assim.
- Será que dá pra você calar a boca e me ouvir? Será que você pode párar de pensar um pouco e me ouvir? Será que você pode deixar eu te explicar o porque eu estou aqui? SERÁ?
- Uhul, ok ;}
- Acredite em mim, eu amo você como nunca amei ninguém, eu quero você como nunca quis alguém! Eu preciso de você pra poder viver, eu preciso da sua existência, mas eu preciso fazê-la sorrir, eu preciso que você me olhe nos olhos quando eu falo com você, eu preciso te ouvir pra me sentir bem, eu preciso de você pra viajar por aí, eu preciso de você para me alimentar, eu preciso de você para brigar, eu preciso de você para chorar, eu preciso de você para continuar. E eu não simplesmente preciso de você; eu quero você; quero amá-la, quero tocá-la, quero abraçá-la, quero fazê-la feliz. E não interessa se você tá interessada ou não, porque eu vou fazer isso! Vou fazer de qualquer forma, porque eu não vou deixar você se matar, eu não vou deixar você colocar dentro de um caixão esse olhar doce, esse sorriso enferrujado, essa voz macia, esses cabelos que.. *aproxima-se, e toca os cabelos dela* esses cabelos que me deixam arrepiado, eu preciso que você entenda, *levanta a cabeça dela e olha em seus olhos* que eu quero trazer a garota que chegou aqui a sete anos atrás feliz, de volta, mas, mais do que isso, eu quero aumentar a intensidade da felicidade dela antes, e quero compartilhar com elas os melhores e os piores dias da minha vida, quero provar a você, que eu te conheço, eu não sei o seu nome, mas eu conheço cada um dos seus gestos, eu conheço todos os seus olhares, todos os seus sorrisos, todas as suas caretas e eu consegui me apaixonar por você em menos de meio minuto.
- E-eu não conheço nada de você! *Desprende-se dele e vira o rosto
- Não precisa. *A puxa e a envolve em um abraço.
- Não?
- Apenas me permita, fazê-la feliz.
- E se não der certo?
- Deixa eu pelo menos tentar.
- E se...
- Shiiiu... * Beija delicadamente os lábios dela, e mantem-se no beijo por volta de 2 minutos.
- Você, você me beijou.
- E você respondeu ao meu beijo.
- Respondi?
- Respondeu.
- Droga.
- É tão ruim assim?
- Você...
- Eu sou tão ruim assim?
- Não, você conseguiu.
- Consegui o que? Provar que meu beijo é ruim.
- Não, você conseguiu me fazer...
- Desistir de se matar?
- Também, mas eu tô apaixonada :x
- *-*
- Isso não tá acontecendo.
- Tá sim, e você tá gostando.
- Sim, quer dizer, não, quer dizer, talvez.
- O seu sim é não, o seu não é talvez, e o seu talvez é sim.
- Como sabe disso?
- Eu conheço a sua essência.

E eles viveram felizes para sempre.

5 comentários:

Anônimo disse...

ai estou louca pra ler esse post, mas é compriiiidddoooooOOoO demais vou deixar pra ler amanhã. Mas confesso já estar curiosíssima!
bjos
;)

Anônimo disse...

ai ai perfeito! adorei a maneira com que ele a envolveu dizendo que a conhecia em cada pedacinho. Isso me deu vontade de escrever algo que nunca aconteceu além dos meus sonhos. Acho que depois de ler isso, posso tentar não é?!
Humm me responda, como vc pensou isso? tenho necessidade de saber, porque é incrível! Acho que tá não te conheço bem, ou nem conheço, mas é algo bom. A maneira de se apaixonar, não sei. Foi ótimo! ainda estou remoendo cada palavra e imaginando a cena.Obrigada, sabia que valia a pena ler!

Anônimo disse...

Queremos continuaçãããão!

Emilio Faria disse...

Não odiei seu blog.
É q sou chato.
Mas vc eh durona... kuakua
podemos ser amigos!?

Lucélia Canassa disse...

depois de ler eu acho que não precisa de continuação.
pq? a essência toda está ai...
já destes o recado meu bem, e já encantou o dia de quem leu ;)
um beijo (L)