quarta-feira, 23 de julho de 2008

Conexão.

De longe, avistou no meio de um banco enorme e vazio, um garoto que vestia um jeans escuro, uma camiseta branca e um moletom cinza por cima, pra ajudar ele ainda calçava um all star vermelho. Se isso é novidade? Com certeza não, desde que se conhece por uma garota heterosexual e sem problemas de visão, considerava aquele garoto do cabelo castanho cacheado, olhos verdes e pele branca, o garoto mais lindo que ela já tinha visto. Eles sempre estudaram juntos, mas nunca trocaram uma palavra; ela não era feia, muito pelo contrário era até bem bonita, tinha muitos meninos a seus pés, mas ele nunca havia reparadao ela. Ele não era do grupo dos populares, mas também não era do grupo dos pelos menos educados, dizia seguir um estilo próprio, dizia que os populares eram idiotas e tinha um péssimo gosto musical, dizia que os nerd's eram retardados porque perdiam tempo em cima dos livros, dizia que as garotas bonitas eram apenas diversão, dizia que nunca se apaixonaria, dizia que amor era apenas uma coisa boba que só existia no coração dos troxas, dizia que o uso de frases feitas era ridiculo e que só pessoa não criativas utilizavam, dizia que era diferente, mas por mais que ela o amasse, ela ainda não conseguia ver nele muita diferença, porque ela era simpática e conversava com todos, conhecia todos os tipos de garotos, pelo menos, os que tinham no colégio dela, e ele para ela, pertencia ao grupo dos rebeldes sem causa.
Ele vivia no meio dos 'cool', pelo menos, aqueles que ele julgava 'cool', vivia rindo, melhor, vivia tirando com a cara daqueles que para ele não passavam de simples mortais. As garotas que nunca ficaram com ele, o queriam. As que ficaram o detestavam, afinal, ele as jogava fora depois, era um bossal com diploma.
Ela não vivia com ninguém; ninguém sempre; porque na verdade ela vivia no meio de todos ao mesmo tempo e por isso passava despercebida por quase todos.
Mas o fato da história, não é o que um é ou o outro deixa de ser, o fato é que o 'tal' estava sozinho, sentado no último espaço de um banco enorme, com as pernas esticadas, olhando fixamente para o chão, parecia triste, mas dizer isto era realmente mexer com a onça, porque ele jamais ficava triste, quem ficava triste nem que fosse um dia perto dele, era emo, afinal, sentimento quem tem é emo.
Ela sentou em sua frente, do outro lado do pátio, mas em sua frente, ficou observando e seu coração batia tão rápido que ela chegou a pensar em ir até ele e perguntar como ele estava; mas ela tinha um defeito bem grandão, ela seguia a razão quase sempre, e a razão dela dizia que se ela se aproximasse seria lançada em uma parede de gosma verde, na verdade, isso foi a imaginação dela que construiu, mas razão e imaginação sempre andaram juntas para ela, então ficou por ali fazendo de conta que estava lendo um livro, quando na verdade por cima das páginas branca, da capa dura e vermelha ela o observava.
Começou a garoar, começou a ventar, até que uma chuva bem forte começou a cair, ela saiu correndo para o lado coberto e ele continuou lá onde estava, quando ela olhou para o lado, estava perto dele, mas ele estava em meio de chuva.
Então ela começou a dar pulinhos de nervosismo, estava angustiada vendo que ele não fazia nenhum movimento e por um instante pensou que aliens poderiam ter abduzido a alma dele, e então ali estava só o corpo dele, logo que se deu conta do que havia pensado, balançou a cabeça, olhou para o céu, largou os livros e correu até ele, de pé ao lado dele perguntou:
- Você vai ficar aí parado?
- ...
- oooooi? Eu tô falando com você, garoto - deu um tapa fraco em uma das pernas dele. - Olha, tá chovendo bastante caso você não tenha percebido, e você vai acabar adoecendo.
- ... *Olhou para cima e ficou encarando ela.
- Ok, eu estou saindo...
- Como é seu nome?
- *Cacilda, Pai do céu, e agora minha cascatinha de cristal, ele falou comigo *-* - Ahm, é... É Débora.
- Hum. Bonito nome.
- E o seu?
- Ótima piada.
- Oi ótima piada, você não quer sair da chuva?
- Haha, *ameaçou um sorriso* eu estou confortável aqui.
- Ok então, fique bem ótima piada.
Irritada com o jeito fofo dele, ela saiu correndo pegou os livros e se mandou para casa. No dia seguinte, já não estava mais chovendo e ele não estava mais lá, com certeza ele deveria ter tomado consciência e ido pra casa, deveria estar precisando de chuva e só isso, podia ser um feiticeiro também que estava fazendo chover, eram tantas opções, mas pensar nelas era besteira, porque ele já deveria estar com seus amigos de novo e pronto então foi para a sala de aula, e no meio do corredor viu ele vindo quase que na mesa direção que ela, abaixou a cabeça e tentou prosseguir quando ele disse:
- Oi?
- Hum?
- Oi!
- Ah, oi :}
- Tudo bem?
- Tudo sim.
- Uhul, ok, valeu, tô indo tchau Débora.
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH, ele veio dar oi, perguntou se estava tudo bem, lembrava o nome dela e ela cortou ele? Que menina esperta '¬¬ Morrendo de raiva de si mesma entrou na sala e no meio da aula de história alguém acertou uma bolinha de papel em sua cabeça, olhou para trás e era ele, resolveu ignorar porque aquilo parecia simpatia demais para um garoto que durante anos não havia olhado em sua cara, porém no fim da aula, resolveu ser legal e quando ele passou por ela, ela o segurou:
- O que você tinha ontem?
No mesmo momento ele fechou a cara e foi embora.
Semanas se passaram e ele não falava com ninguém, e ela se sentia muito culpada, muito culpada mesmo, tentou várias vezes falar com ele, mas ele não a respondia, não sorria, não comia, não fazia absolutamente nada. Então resolveu partir pra 'ignorância' e foi ao colégio na quarta-feira a tarde logo depois da aula de música dele, esperou-o lá fora e quando ele saiu ela disse:
- A gente precisa conversar ótima piada, nosso relacionamento não tem tido graça, e ótimas piadas tem graça.
- Não amola garota.
- Não amola garota significa o que?
Ele aumentava a velocidade o passo e ela o acompanhava perguntando:
- Por que de uma hora para outra você parou de falar comigo? Eu fiz alguma coisa?
- Você pergunta demais.
* Parou, e enquanto ele continuava devagar ela gritou: E VOCÊ NUNCA SE PERGUNTOU POR QUÊ? No mesmo instante, virou-se e saiu correndo. Ele ficou olhando-a e respondeu baixinho: Como é?
Ele passou o resto daquela semana pensando no que ela havia lhe perguntado, falou com o colégio inteiro e poucas resposta obteu já que nunca havia sido simpático com ninguém e portanto as pessoas não faziam esforço para ajudar. Bem, ele era descolado correto? Então ele resolveu esquecer aquilo e viver sua vida... Durou dois dias; conseguiu passar ao lado dela sem ter vontade de pedir explicações, até que no sábado de manhã, logo depois da aula de ed. física, ela ficou pelo colégio com a permissão do vigia da biblioteca para estudar matemática, ele foi para casa e por volta das 15h ela junto suas coisas para ir embora. Nesse meio tempo ele foi mexer em sua mochila quando se deu conta que havia esquecido o celular no colégio, como morava perto e precisa urgentemente de um númerou, saiu em disparada para de volta ao vestiário masculino. Chegou ao colégio, encontrou seu celular, e quando estava indo de volta para casa viu Débora se debatendo com as chaves do seu armário. De longe, ele ficou observando-a, quando ela saiu dali ele correu até ela segurou em seu braço e disse:
- Você pode explicar o que foi aquilo aquela noite?
- Não.
- Por favor, vamos parar com toda essa estupidez um com outro. Minha vida deu um giro de 360º e eu nem sei porque eu tô te contando isso, mas eu sei que aquela noite, da chuva, você pareceu tão inocente, tão pura, que eu me atrevi a conversa contigo, e por falar nisso, meu nome não é ótima piada, é por favor me responda.
- Ok, por favor me responda, você pensou no que eu te perguntei?
- Pensei, mas eu não quero arriscar, quero ouvir de você o porque você pergunta demais.
- Porque eu gosto de você.
- Isso não é suficiente sabe, todo mundo gos...
- Não desse jeito. Na verdade, eu sempre gostei de você.
- Tudo bem mas mesmo assim isso n...
- Eu sempre fui apaixonada por você.
- :O Co-como?
- É isso aí.
- Desculpa então, mas eu não me apaixono.
- E o que você está fazendo aqui ainda?
- Eu só quis uma explic...
*Deu um beijo curto e doce nos lábios dele.
- Por que você fez isso?
- Pra ter certeza de que você está mentindo.
- Ei! Eu não minto!
- Mente sim. Se não mentisse não teria dito que não se apaixona.
- Mas eu não me apaixono.
*Beija-o novamente.
- Se apaixona sim.
- Dá pra você parar de me beijar?
- Por quê?
- Porque eu não tô muito legal.
- Eu beijo tão mal assim ou você não fica mais com meninas?
- Não, é que; eu não sei, minhas mãos estão suando; eu estou suando frio e minhas pernas, sei lá :s
- Tá vendo, eu toco você.
- Como? oO
- Eu mexo contigo, e você tá apaixonado por mim.
- Não, eu não me apaixono.
- Posso te pedir uma coisa?
- Pode ué...
- Me abraça?
- Tá bom, mas por quê?
- Só me abraça...
Cinco minutos depois e eles continuam abraçados quando aos poucos ela vai embalando ele, e eles começam a dançar juntos, e aí ela afasta um pouco o rosto do ombro dele, fazendo com que os dois fiquem se olhando, ele a beija e ainda dançando ela diz:
- Você não está mesmo apaixonado?
- Pra falar a verdade eu nem sei o que é isso.
- Eu posso te ensinar?
- Me ensinar?
- É, deixa eu te provar, que o que você tá sentindo agora, é paixão.
- Como sabe o que eu tô sentindo agora?
- Já ouvir falar em conexão?
- Já, mas o que uma coisa tem a ver com a outra?
- Me conectei a você desde a primeira vez que eu te vi.
- Mas isso é suficiente pra você saber o que eu estou sentindo.
- Seria, mas eu também estou sentindo a velocidade com qual seu coração está pulsando agora.

Então começou a chover, o zelador resolveu colocar para tocar The Fray - How to save a life, os dois se beijam, e continuam a dançar... Fim.

3 comentários:

Anônimo disse...

o que mais prezo em suas histórias são os diálogos, são sempre bons. Muito reais! HUmm gostei da história, afinal ela prova que ninguém é tão durão q não possa amar. E agora quanto a conexão achei muito interessante, nunca pensei nisso, apesar de já ter sentido.E a história teve final feliz, não é!
Quanto a minha stória, caso todos desejem, eu preparo um novo encontro para os dois e os deixo ser felizes hehehe ai ai
bjos
t adoro só por suas palavras
(deve ser um tipo de conexão tbm não é?!)
bj

Lucélia Canassa disse...

mensagens sublinares ;)
minha garota sonhadora (L)
adorei

Emilio Faria disse...

meu msn eh emiliofdesing@hotmail.com

não sei se foi nesse ke me adicionou...