De madrugada, sentou no sofá da sala, esticou as pernas, enrrolou o cabelo e colocou-se a pensar.
Logo, as lágrimas chegaram, batendo na porta e entrando, mesmo que ela não quisesse vê-las.
Parecia que tudo iria acabar no dia seguinte... Seu coração, sempre tolo, instável e imprevisível, parecia querer sair urgentemente de seu peito, e por alguns instantes, ela acreditou ter perdido a única coisa que a movia sem exigir condição.
Ela não sabia se o toque suave dos lábios dele nos seus a faria bem, ou se era evitar isso que resolveria as coisas. Ela não sabia se deveria estar acordada ali, ou se deveria estar na cama, tentando durmir. Ela não sabia se um abraço apertado, daqueles de esfarelar a caixa toráxica, seria suficiente para previnir novos surtos no decorrer dos dias, ou se ele só a deixaria cada vez mais viciada.
Ela queria olhar nos olhos dele, e dizer que como amigo, ele a fazia muito bem. Mas teve medo, porque não sabia por quanto tempo poderia olhar nos olhos dele, sem tocá-lo.
Ela queria estar de mãos dadas com ele, mas ela não conseguia abrir a porta onde paixões eram guardadas.
Ela quis tantas coisas em três dias que quase explodiu de alegria.
Ela ouviu tantas coisas em cinco dias que quase enlouqueceu sufocada.
Ela só queria paz.
Ela só queria ele ao lado dela, sem se preocupar com o que viria depois.
Ela só queria aquele amigo, de volta.
E eu acho que se ela soubesse que se ele ouvisse por outra pessoa tudo o que ela já havia o dito, então ela não teria esticado as pernas no sofá, não teria enrrolado o cabelo, não teria chorado e muito menos, teria se preocupado.
Às vezes, complicar faz bem, dá um tempero, faz tudo mais divertido e mais longo.
Mas às vezes, quase sempre, simplificar, faz com que tudo entre em perfeita harmonia.
E às vezes, só às vezes, ouvir é mais fácil que falar.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
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