domingo, 16 de março de 2008

Propriedade particular.

- Oi eu posso te comprar?
- Desculpa, eu não estou a venda.
- É?
- É!
- Então eu posso te ter?
- Mas você nem me conhece.
- Então deixa eu te comprar.
- Já disse, não estou a venda; e outra, não tenho preço.
- Então, você pode se dar pra mim?
- Me dar pra você? Que vocabulário Senhor; mas não posso não, não sou propriedade de ninguém.
- Não mesmo?
- O que é isso? O que você quer mané? Tá achando que pode chegar falando assim? Eu sou uma garota requisitada.
- É que você é inalcançável.
- Inalcançável? Você não me conhece.
- É verdade.
- Então!
- Então?
- Então, então, ué... Cara, some (: Estamos aqui a 15 minutos, daqui a pouco o ônibus chega, e nesses 15 minutos você estava calado, custava ficar até o ônibus chegar?
- Não sei, custava? Porque eu estou disposto a pagar qualquer preço.
- Essa foi a pior cantada que já ouvi.
- Não é uma cantada, é uma questão particular.
- Ahn... Perdeu uma garota e agora está querendo comprar outra?
- Não, não. Eu não perco. Nem ganho. Eu conquisto. E eu vou ter você, particularmente.
- Que isso? Tá maluco? Além de bobo e mané, é convencido.
- Não meu bem. Não é esta a questão.
- Não? E qual é a questão então?
- A questão é saber.
- Saber? Saber do que?
- Saber que esse seu sorriso expressado entre linhas, é propriedade particular. Saber que esse seu olhar dúvidoso e curioso, é propriedade particular. Saber que esse seu jeito de cruzar os braços por causa do frio é propriedade particular. Saber que esse aroma que invade o ponto de ônibus, é propriedade particular. Saber que esse seu jeito delicado de piscar os olhos, é propriedade particular. Saber que o fato de você movimentar o cabelo em câmera lenta cada vez que olha para esquerda para ver se o ônibus já chegou é propriedade particular. Isso, é uma questão de saber, que você por completa é propriedade particular e que por isso não é pra quer, é pra quem pode.
* Impressionada * - Co-concordo. Não é pra quem quer, é pra quem pode...
- E eu posso?
- Deve.


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